Já lá vão mais de 100 postagens...

Neste inicio de ano já passei mais de 100 postagens, o blog teve mais de 7000 visitantes. Motivos para celebrar!

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Aplausos da memória

 Morro num palco à busca de um aplauso,

E tu esperas, sombria, o desaplauso.

Quero a fama que tanto me devora,

E tu nas sombras, magoada, a toda a hora.


Quero o brilho que a vida me promete,

E tu observas, perdida na corrente.

Mas nestes tempos de fúria e tempestade,

Raros são os momentos de verdade.


Tu és a sombra colada ao meu destino,

A ver a queda que sinto no caminho.

Anseias ver-me cair no esquecimento,

E eu só procuro um breve átimo de alento.


Quero a fama, quero tudo o que me escapa,

E tu és o silêncio que me mata.

As lembranças que vagueiam pela mente,

Em sonhos que me chamam tristemente.


A minha avara e desmedida ganância

Encontra a tua amarga e fria fragrância.

Qual veneno que procura me alcançar,

És tu a única que sabe ainda amar.


Estiveste em cada ovação que conquistei,

Mas és memória no palco que pisei.

Aguardas só que as cortinas venham baixo,

E as mágoas brotem no pranto que desfaço.


És o fantasma que habita a minha história,

Que volta sempre a ensombrar qualquer vitória.

O medo cresce: o tempo quer-me dobrar,

E mais uma ruga começa a despontar.



sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Fama etera

 Aromas de estrume e lama

Dormi com eles na cama

Tive a mesma condição

Mas não aceitei a rendição


Fui lixo de estrada

Qual alma errada

Rejeitado por este mundo

Fui até um ser imundo


Hoje sou pássaro que voa

Um barco sem proa

Um ser glorificado

Que um dia fui injustiçado


Da berma à glória

Até a fama irrisória

Hoje sou um tudo

Um tudo de nada


Sou agora aromas de incenso

Mas ainda assim em ti penso

Tu que és um ser de nada

Apenas uma alma que quer ser amada


Fui ter à mesa redonda

Beber da tua taça que ronda

Esse vinho puro, agreste

Que um dia tu me deste


Sei que este altar é vão

Como um vento de verão

Tudo pode desmontar

E na lama voltar a estar


Sei que ainda aí estás

Nesse altar atrás

Para me acolher

Quando eu descer